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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

e é na tua luz que me acendo toda e chamo teu nome.

Quando me beijou, cuspi. Para saber se seu amor é branco, vermelho ou transparente.
Nazarian
Com teus dedos, meus lábios ganham cor. É de giz que dou cena.
[dna inverso]
- E de que cor eu pulso?
- De que cor é meu amor? Não cuspo, engulo.
E penso no pouco de vermelho que tenho nas unhas.
Restam as noites que me engravido
e nasço desse amor.
Sou toda cores,
sem a dor do parto:
sou branca
vermelha
e transparente
dos dentes ao ralo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

[verborragia em dó maior]

.. e o sentido de cada uma delas tilintintando nas entrelinhas
nos desejos omitidos
na carência latente
na fuga delas mesmas.
sem pretérito perfeito.
apenas na vontade de rodopiar os muitos olhos
sedução gratuita na ponta dos pés
da bailarina.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Teu vício

O que adoça teu café, gruda nos dentes e irrita a gengiva. Não é doce, sequer amargo. É ácido e corrosivo, transpassa os poros, encontra abrigo na epiderme e sangra os cotovelos. Todo o sangue que te anfetamina a vida é café puro traduzido em dor. Em dor maior, bemol e sustenido a quatro...canção essa que não te faz ouvir o que te leio só de olhar pra ti.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

halterofilismo puro

por vezes, sou sentimento demais num corpo de areia e mel. entender o que de mim arranca? tenho apenas o que tranca.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Batalha dos Cravos

Um cravo que seja espelho
vermelho
que seja doce
um beijo
.
.
do que foi noite
e brotou em terra úmida.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Olhei tranquila pela janela do meu jardim e nada vi.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

[substâncias simpatomiméticas]

delírios submersos
evito o carboidrato dos dentes, mas isso não é tudo. resolvo-me nas tarjinhas pretas que escalonam o que na cabeça dói e rasga o peito.
meu pensamento é de titânio
..e o que aqui bloqueia
é evidência nata de uma literatura inútil que [me] afugenta.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Agora sou um lago.

meu coração é bomba atômica, afllita!
explode em mim e de mim não sai nunca.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Delirantes

Minha unha em vermelho perdido resvala ao esquecimento. Esmalte vencido em pote de ouro, velho marujo aos golpes roubados. Minha memória, aquário do que se perde entre a isca e a mordida, cega o desejo de fome que por ora devora quieta. E quieta se faz delirante.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

o outono em seu fim

tenho no jardim de casa
amoras para o inverno
e luvas para o coração.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Tinta fresca

Uma lágrima

por molhada que a faça

desce ao ventre

e molha

Tudo o que transforma

e ora por dias melhores


Tanto cedo

Quanto tarde


Apavoro-me nas horas

em que o tempo esquece

o que a mim devora


Reflexo vazio

em águas distantes de você

lágrima de ninguém.

domingo, 10 de maio de 2009

intentio operis

Um roteiro, o da minha vida, por favor. Nasço e partida, corro aos seios daquela que me olha linda, sem nojo: amor à primeira, segunda e terceira vista. Cresço aos poucos, por ora menina, quieta, calada de tudo. Observo e não me canso disso. E mais aos poucos ainda, torno-me mulher, amante, esposa e até mãe, de mim mesma, de uma ideia de mim (apenas). Aborto amores, condenam-me corações, choro até secar o corpo inflamado de tanta dor. Amo desmedidamente. O lado negro e masoquista do que é dor.

Tive dores, tantas que preferi às flores. Descobri em mim poesia amanhecida, café borrado, vidros estilhaçados. Descobri em mim uma verdadeira serial killer do que me alimenta e ausenta em mim, do que é ar, do mais puro, puríssimo: amor. Um roteiro sentido aos ouvidos de um phillip glass. A intensidade
à revelia, a sincrointensidade, roxa e verde, cinza, todas as cores: uma aquarela de sentidos tontos, partidas e vindas, uma new yorker perdida em quinta avenida. Uma veia saltada e nada mais. Um roteiro, o da tua vida, por favor.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

dislexia entre versos

- Pulso constante, palpitação cadenciada que rodopia doido por entre os pensamentos que te fazem você. Meu coração é.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Relicários

Ah! Se pudesse a vida me trazer sorrisos estampados em carteira assinada. Nada disso! Detesto o convencionalismo que se faz por aí.

- Se estou feliz?

- Tenho um novo emprego, e daí?

Reinvento a vida, não me canso disso e por mim me basto em Meirelles.

(mentira!)

Algarismos e blábláblás

Hoje sou sem rumo. Palavras cristãs rasgadas no Verbo. Uma mediocridade pura do que se colore à boca. Inspiro o diabo a quatro e não morro nunca de você (nem de ninguém).

[conversa pra boi dormir]

Hoje eu tô pra blábláblá.

Destilados

Bêbado de você. Pernas do que se provam fartas de desejo. O corpo em curvas e ventania do que chove. Molhado arisco. Desejo traduzido em mãos que ardem o gozo prometido. Canalhices de uma beata. Mãos santas profanando o cântico dos cânticos.

Amém.

Teus dentes são como um rebanho de ovelhas,

recém-saídas do lavadouro;

cada um com seu par, sem perda alguma.

[Quinto Canto, Cântico dos Cânticos]



Indolência

Mascarada. Tudo o que vejo em musgo vermelho que pulsa está em máscaras de carnaval. As tuas, as minhas, as delas. Sonho interrompido pelo filho esquecido ao peito. Uma provocação letárgica do que se esconde, do que se rima, do que se vinga. Um gole a seco do que se molha em lágrimas moribundas por entre as tuas.

Tendências

Uma pontada. Facada certeira ao peito. (o meu, por favor!) masoquismo quase tibetano, uma tortura aos olhos de quem vê, mesmo que no vazio de lentes de contato já míopes de (/por) você. Sou assim: sem dor, querida, nada feito! Um arremesso em falso, tacada clandestina. Uma falta de escrita crônica: doença de uma literatura metida à besta que se odeia ao espelho, mas ajeita o cabelo sempre que se envaidece aos paparicos ariscos de quem a lê. Fatalidade crua que desfila e fia a vida que por hora é boa. Canalhice que dá sono:

- um chopp para a moça que chora, campeão!

- Logo, não se demora antes que as 11 parta o sino e o branco do guardanapo se eternize sem um sequer rabisco.

Falta tinta e só isso importa. Só isso.

Miau

Eu amo de um jeito bicho, mansinho de gato. E de gato, me enrosco nas tuas pernas, te cuido felina e te sossego num dengo de amor só meu. ...