nessa overdose toda, me redimo em caio. me redimo nua nessa cidade tão crazy e na neve seca que me golpeia. e caio no sem volta de mim, de propósito. me empurro como quem lança dados na mesa suja de bar nenhum. e nesse nó dolorido, coisa de marinheiro, engasgo aflita no fio da noite. New York é cidade da vida inteira e sabe ser casa, mesmo na falta de capacho. ou na falta de luvas. e nessa overdose toda, a ausência se faz em espelho público, curva da 5ave com 42st. abaixo de zero, caio insiste, enquanto eu cedo tinta e papel:
E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda.
caio persiste em mim.
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sábado, 24 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
A bunda
Com classe de alcoviteira, escorregou em curvas pra lá de sinuosas até que um não-querer-querendo, fez-se mostrar teu esplêndido derrière!
Gritando aos olhos, confesso com ar devasso:
- Quanta classe, meu deus, quanta classe!
Gritando aos olhos, confesso com ar devasso:
- Quanta classe, meu deus, quanta classe!
terça-feira, 23 de outubro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
carnaval
é do teu amor que bordo a maquiagem
e borro ao doce do vermelho
da unha
cravo flores.
e sigo cantarolando o que fica
não foge nunca.
amor de vidro em jarra d'água.
e borro ao doce do vermelho
da unha
cravo flores.
e sigo cantarolando o que fica
não foge nunca.
amor de vidro em jarra d'água.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
poesia-poeira
o que se perde para o não dito é tanto, um poço fundo de matéria nenhuma.
é tristeza-garoa que deixa ir embora o que poderia ficar.
fita verde no cabelo.
dor de barriga
é aquele misto de quente e frio
do que é prazer no que se faz dor
gosto de sal na boca doce
é, de fato, encontro marcado entre
o ponto e a vírgula.
segunda-feira, 26 de março de 2012
a curva do universo
Sabe, tentei Cazuza, malabares, Tom Jobim, café com leite e até o malandro do Vinícius. A verdade é que tentei de tudo um pouco, mas confesso que em toda tentativa, foi sempre Lenine que me fez sangrar numas do que me interessa. Como arranca pedaço, deus meu! Basta um play e pronto: eis que temos aí um coração pela metade.
Simples e rápido, quase eficiente; self service com faca afiada e mãos de pedreiro. É, Lenine arranca pedaço mesmo, e arranca, quando quer, o coração inteiro..
Simples e rápido, quase eficiente; self service com faca afiada e mãos de pedreiro. É, Lenine arranca pedaço mesmo, e arranca, quando quer, o coração inteiro..
quinta-feira, 15 de março de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
e é na tua luz que me acendo toda e chamo teu nome.
Quando me beijou, cuspi. Para saber se seu amor é branco, vermelho ou transparente.
Nazarian
Com teus dedos, meus lábios ganham cor. É de giz que dou cena.
[dna inverso]
- E de que cor eu pulso?
- De que cor é meu amor? Não cuspo, engulo.
E penso no pouco de vermelho que tenho nas unhas.
Restam as noites que me engravido
e nasço desse amor.
Sou toda cores,
sem a dor do parto:
sou branca
vermelha
e transparente
dos dentes ao ralo.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
[margem bruta]
tenho poemas presos e centímetros de dilatação
o meu parto não tem hora pra acabar
e esse líquido que não é palavra
me força a boca do estômago até os sulcos do coração
diálogos e azias: entre uma música e outra
Eu: tô com queimação.
Ela: no coração?
Eu: não, no estômago!
Ela: o coração fica no estômago, é o que os filósofos dizem e eu não vou contrariar os filósofos.
Eu: tenho sopro, então.
Ela: e eu um croissant de chocolate. no coração.
Eu: tá mordido?
Ela: pela metade.
Eu: pobrezinho. na minha vez, o chocolate tinha acabado e colocaram goiabada.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
quando o fim do amor é NEVER
voracidade comedida, ainda em caio.
eu caio, não mordo. essa de doer mais fundo... não! essa não é pra mim, darling! eu me basto nisso tudo e sou só retratos de um daqui a pouco era uma vez. e quando era, já era! não é historinha pra boi dormir, nem ficção água com açucar. é real como as duas pombas que se amam do outro lado da janela. assisto ao sexo em plena novela das cinco.
eu caio, não mordo. essa de doer mais fundo... não! essa não é pra mim, darling! eu me basto nisso tudo e sou só retratos de um daqui a pouco era uma vez. e quando era, já era! não é historinha pra boi dormir, nem ficção água com açucar. é real como as duas pombas que se amam do outro lado da janela. assisto ao sexo em plena novela das cinco.
pronto, me apronto e tomo o trem que atravessa Manhattan! e levo no peito um coração de metal, poesia marginal doloridamente bruta. e música toda que me inspira louca essa ponte que é palco.
esse palco que é meu e do mundo inteiro. e sabe ser, como ninguém.
terça-feira, 1 de março de 2011
arestas
a fumaça desnuda recua na fresta de sol
que ainda me resta.
e chove dentro como quem torna espinhos.
.
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que ainda me resta.
e chove dentro como quem torna espinhos.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
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Miau
Eu amo de um jeito bicho, mansinho de gato. E de gato, me enrosco nas tuas pernas, te cuido felina e te sossego num dengo de amor só meu. ...
-
minha escrita é sintomática e dolorida. às vezes sinto demais. ou de menos. inconstância crônica do que sou e irrita. hoje? sou voyeur .


